Sementes
Determinados produtos correspondem efetivamente a sementes ou conjuntos de sementes.
Conheça Obi, Orobô, Ataré, Aridã e outras denominações encontradas em contextos religiosos afro-brasileiros e no comércio de artigos religiosos.
No comércio especializado, a palavra fava pode reunir sementes, frutos, nozes, especiarias e outros materiais vegetais. Por isso, a denominação tradicional ou comercial nem sempre corresponde diretamente à classificação botânica.
Este guia foi desenvolvido para ajudar a compreender essas diferenças, apresentar identificações botânicas quando suficientemente documentadas e contextualizar usos tradicionais sem estabelecer regras religiosas universais.
Nomes, classificações, associações e formas de utilização podem variar conforme religião, tradição, nação, linhagem, terreiro, casa, região e fornecedor.
Uma mesma denominação popular ou comercial também pode ser aplicada a materiais diferentes. Sempre que possível, este guia diferencia o nome tradicional ou comercial da identificação botânica.
Em lojas de artigos religiosos, expressões como favas, sementes religiosas ou favas e sementes podem funcionar como categorias comerciais amplas.
Dentro dessas categorias podem aparecer materiais botanicamente diferentes entre si.
Determinados produtos correspondem efetivamente a sementes ou conjuntos de sementes.
Alguns materiais tradicionalmente utilizados possuem características próprias e não são botanicamente “favas”.
Há materiais comercializados junto às favas que correspondem botanicamente a frutos.
Ataré, por exemplo, corresponde às sementes de uma planta também conhecida como Pimenta-da-Costa.
Conhecer essa diferença ajuda a evitar confusões entre produtos que possuem nomes semelhantes ou que são reunidos comercialmente na mesma categoria.
A presença de diferentes materiais vegetais nas religiões afro-brasileiras está ligada a uma história de circulação de pessoas, conhecimentos, plantas e produtos entre regiões africanas e o Brasil.
Algumas denominações de origem africana permaneceram em uso no território brasileiro, enquanto determinados materiais continuaram sendo comercializados entre os dois lados do Atlântico.
Ao mesmo tempo, comunidades afro-brasileiras também incorporaram espécies encontradas, cultivadas ou disponíveis no Brasil.
A história envolve diáspora, preservação de conhecimentos, comércio afro-atlântico, cultivo, adaptação, incorporação de materiais disponíveis no Brasil e continuidade das tradições religiosas.
Algumas denominações possuem identificação botânica relativamente bem estabelecida. Outras são conhecidas tradicionalmente ou comercialmente, mas ainda exigem cuidado antes de atribuir uma espécie científica.
Obi é uma denominação tradicional relacionada às nozes-de-cola africanas.
Diferentes espécies do gênero Cola podem estar relacionadas às nozes-de-cola. Por isso, a espécie deve ser informada conforme o produto específico.
Orobô, também encontrado na grafia Orogbo, é uma denominação tradicional relacionada a Garcinia kola.
É frequentemente encontrado no comércio especializado junto de favas e sementes religiosas.
Ataré corresponde às sementes de Aframomum melegueta, espécie africana conhecida comercialmente no Brasil como Pimenta-da-Costa.
É um exemplo importante de material cuja denominação tradicional e identificação botânica podem ser apresentadas com boa segurança.
Aridã ou Aridan está relacionado a Tetrapleura tetraptera.
Embora possa aparecer comercialmente entre favas e sementes, o material corresponde botanicamente ao fruto da planta.
Alibé é uma denominação encontrada com frequência no comércio religioso e tradicionalmente relacionada a Xangô em diferentes contextos.
A identificação botânica do material comercializado sob esse nome nem sempre é informada de maneira suficientemente confiável.
Lelecum aparece também em grafias como Lelekun, Lelecun e Lelekum.
É encontrado no comércio especializado e em referências tradicionais, mas a identificação botânica não deve ser presumida apenas pelo nome.
Bejerecum ou Begerecum é outra denominação encontrada em catálogos religiosos.
Como ocorre com outras favas tradicionais, a espécie correspondente deve ser confirmada antes de ser informada como identificação botânica definitiva.
Ikin possui contexto próprio relacionado à tradição de Ifá e não deve ser simplificado apenas como “mais uma fava”.
Embora possa aparecer próximo de sementes e artigos religiosos em catálogos comerciais, sua classificação e função tradicional merecem tratamento específico.
Denominação tradicional encontrada em contextos religiosos.
Forma pela qual o produto também pode ser encontrado no comércio brasileiro.
Identificação científica da espécie correspondente.
Com uma denominação como Fava de Exu, por exemplo, sabemos que existe um nome tradicional e comercial amplamente utilizado. Entretanto, não é seguro atribuir uma única espécie botânica somente com base nessa denominação.
No comércio especializado e em diferentes contextos religiosos são encontradas denominações associadas a diversos Orixás.
Essa relação de nomes não representa uma tabela ritual universal. O material correspondente, as associações e as formas de utilização podem variar conforme tradição, nação, terreiro, casa, região e fornecedor.
Não necessariamente.
Existe sobreposição de nomenclaturas no comércio de artigos religiosos. Alguns fornecedores utilizam determinados nomes como equivalentes, enquanto outros comercializam produtos diferentes com essas denominações.
Também existem contextos documentados em que Fava de Exu e Garra de Exu aparecem como materiais distintos.
Denominação tradicional e comercial encontrada de forma independente em diferentes catálogos.
Não presumir espécie botânica apenas pelo nome.Pode aparecer como produto próprio e também receber nomes sobrepostos em determinados fornecedores.
Comparar aparência, procedência e produto físico.Também aparece como denominação própria em parte do mercado religioso.
Não deve ser automaticamente tratada como sinônimo de Fava de Exu.Quando os nomes forem semelhantes ou contraditórios entre fornecedores, observar o produto físico e sua procedência é mais seguro do que estabelecer equivalência apenas pela denominação comercial.
Outra área de grande confusão envolve nomes populares aplicados a sementes visualmente semelhantes ou tradicionalmente relacionadas a determinados contextos.
As duas grafias aparecem com frequência no comércio religioso.
Frequentemente aparece comercialmente relacionado a Tento ou Tentro de Exu.
É um nome popular que pode ser utilizado para diferentes espécies vegetais. Por isso, não deve receber uma identificação botânica automática.
Também é uma denominação popular aplicada a diferentes sementes e deve ser analisada conforme o produto específico.
Não existe uma lista única e universal de favas e sementes utilizada da mesma maneira em todas essas tradições.
Favas, sementes, frutos e outros elementos vegetais aparecem em diferentes contextos, mas nomes, fundamentos e formas de utilização podem variar entre nações, linhagens e casas.
A relação com plantas e materiais naturais também varia entre terreiros e vertentes. Não é adequado transferir automaticamente uma correspondência encontrada em uma casa para toda a Umbanda.
Materiais relacionados comercialmente a Exu e Pombagira aparecem com frequência, mas nomenclaturas e fundamentos também dependem da tradição e da casa correspondente.
Quando a escolha estiver ligada a uma prática ritual específica, a orientação da própria tradição ou de seus responsáveis deve ter prioridade.
Favas, sementes, frutos e outros elementos vegetais podem apresentar variações naturais entre unidades.
Por se tratar de material de origem natural, diferenças de aparência não significam necessariamente que os produtos sejam diferentes ou apresentem defeito.
Observe diferentes formas de escrita, como Orobô/Orogbo, Aridã/Aridan ou Lelecum/Lelekun.
Quando estiver disponível e suficientemente confirmada, essa informação ajuda a diferenciar materiais com nomes semelhantes.
Formato, tamanho, superfície, tonalidade e outras características podem ajudar na identificação.
Fornecedor, país de origem ou fabricação e demais informações disponíveis ajudam a conhecer melhor o produto.
Confira se o produto é comercializado por unidade, peso, kit ou quantidade aproximada.
Quando houver finalidade ritual específica, confirme qual material é utilizado dentro da tradição ou casa correspondente.
Conheça alguns dos materiais apresentados neste guia que possuem cadastro próprio atualmente na Maria Jupyra. Consulte cada página para conferir apresentação, quantidade, características e informações específicas do produto.
Mantenha materiais secos protegidos de umidade excessiva e contato prolongado com água.
Armazene de forma que evite contaminação e acúmulo de sujeira.
Verifique sinais de mofo, deterioração, alteração excessiva ou presença de insetos.
Exposição prolongada a calor intenso, umidade ou luz solar direta pode comprometer determinados materiais.
Quando houver necessidade de descarte, considere as orientações da sua tradição e também o cuidado ambiental.
Evite deixar embalagens, plásticos, vidros, metais ou outros materiais não biodegradáveis em áreas naturais.
No comércio de artigos religiosos, “favas” pode funcionar como uma categoria ampla que reúne diferentes sementes, frutos, nozes, especiarias e outros materiais vegetais.
Entre as denominações encontradas estão Obi, Orobô, Ataré, Aridã, Alibé, Lelecum, Bejerecum e diferentes favas associadas aos Orixás. A relação não é universal e pode variar conforme tradição e comércio local.
Obi está relacionado às nozes-de-cola africanas. No comércio religioso brasileiro pode aparecer junto das favas, mas isso não significa que seja botanicamente uma fava.
São materiais diferentes. Obi está relacionado a nozes do gênero Cola, enquanto Orobô corresponde a Garcinia kola.
Ataré, também conhecido comercialmente como Pimenta-da-Costa, corresponde às sementes de Aframomum melegueta.
Aridã ou Aridan corresponde ao fruto de Tetrapleura tetraptera. Embora possa aparecer na categoria comercial de favas e sementes, botanicamente trata-se de um fruto.
Sim. Existem denominações como Fava de Xangô, Oxalá, Ogum, Oxóssi, Iansã, Iemanjá, Exu e outras. Entretanto, materiais correspondentes e associações podem variar conforme tradição, casa e fornecedor.
Não necessariamente. Alguns fornecedores utilizam determinados nomes como equivalentes, enquanto outros distinguem produtos diferentes. Não é seguro determinar equivalência somente pelo nome comercial.
Existe forte sobreposição dessas denominações no comércio. Porém, nomes populares adicionais como Olho-de-Cabra podem ser aplicados a diferentes materiais, razão pela qual o produto específico deve ser observado.
Não necessariamente. Nomes, associações, fundamentos e formas de utilização podem variar entre religiões, tradições, nações, linhagens, terreiros e casas.
Não. Alguns materiais possuem origem africana documentada, enquanto tradições afro-brasileiras também incorporaram espécies disponíveis ou cultivadas no Brasil. Origem botânica, procedência atual e tradição cultural são informações diferentes.
Mantenha em local limpo, seco e protegido de umidade excessiva, calor intenso e contaminação. Observe periodicamente sinais de mofo, deterioração ou presença de insetos.
Consulte os produtos atualmente disponíveis e confira características, apresentação, quantidade e informações específicas de cada item.
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